Prazo Médio de Recebimentos: Fórmula, Valores em Portugal e Como o Baixar
Quantos dias demora a sua empresa a receber? A fórmula do prazo médio de recebimentos, porque leva IVA, quanto vale em Portugal por sector segundo o Banco de Portugal, e as alavancas legais para o baixar.

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O prazo médio de recebimentos é o número que diz quanto tempo o dinheiro das suas vendas fica nas mãos dos clientes. Cada dia a mais é tesouraria que a empresa financia do seu bolso: paga salários, fornecedores e IVA antes de receber. Este guia explica a fórmula e porque deve levar IVA, faz as contas a uma PME de exemplo, mostra os valores reais em Portugal, por sector e por dimensão, publicados pelo Banco de Portugal, e termina no que interessa a quem tem facturas por receber: as alavancas, contratuais e legais, para baixar esse número.
O Que É o Prazo Médio de Recebimentos
É um rácio de actividade: divide o que os clientes devem pelo que a empresa vende, e exprime o resultado em dias. Se uma empresa vende o equivalente a 4.000 € por dia e tem 200.000 € por receber, tem 50 dias de vendas em carteira de clientes. É isso que o rácio mede. Não diz quanto tempo demora uma factura concreta, nem se há clientes em atraso: dá a média de toda a carteira. Por isso é útil para acompanhar a empresa no tempo e para a comparar com o sector, e menos útil para decidir o que fazer com um cliente em particular.
Recebimentos e Prazo Médio de Pagamento
O rácio tem um irmão do outro lado do balanço: o prazo médio de pagamento, que mede quantos dias a empresa demora a pagar aos fornecedores. O Banco de Portugal calcula-o com o saldo de fornecedores sobre as compras e os fornecimentos e serviços externos, também ajustados de IVA. [3] A diferença entre os dois diz quem financia quem. Uma empresa que recebe a 60 dias e paga a 40 está a financiar os clientes com 20 dias de dinheiro próprio ou do banco; uma que recebe a 40 e paga a 60 é financiada pelos fornecedores.
Porque Interessa a Quem Vende a Crédito
Para uma PME, o prazo de recebimento é muitas vezes a diferença entre ter e não ter tesouraria. Os lucros aparecem na demonstração de resultados quando se factura, mas o dinheiro só aparece quando o cliente paga. Um prazo médio que sobe dez dias num ano quer dizer que dez dias de vendas deixaram de entrar no banco, e quase sempre isso não se deve a todos os clientes pagarem um pouco mais tarde: deve-se a dois ou três que deixaram de pagar. O rácio é o sinal; a causa está na lista de facturas vencidas.
Calcular juros comerciaisJuros de mora entre empresas à taxa legal em vigor, com a indemnização de 40 € do Decreto-Lei n.º 62/2013.A Fórmula, e Porque Leva IVA
Há várias versões da fórmula a circular, sobretudo em sites brasileiros, e dão resultados diferentes para a mesma empresa. A que faz sentido usar em Portugal é a do Banco de Portugal, porque é com ela que se calculam os números do sector com que se vai comparar.
A Fórmula do Banco de Portugal
Nas notas metodológicas das estatísticas da Central de Balanços, o Banco de Portugal define: «Prazos médios de recebimentos = 365*[Clientes] / [Vendas e serviços prestados ajustados de IVA na componente interna]». [3] O documento metodológico actual dessas estatísticas remete para essas notas os conceitos e as fórmulas usados. [4] O ajuste de IVA tem uma razão simples: o saldo de clientes inclui o IVA das facturas por pagar, e as vendas da contabilidade não o incluem. Para dividir uma coisa pela outra, as duas têm de estar na mesma base. A expressão «na componente interna» quer dizer que só se acrescenta IVA às vendas feitas em Portugal; as exportações e as vendas intracomunitárias isentas entram sem IVA.
A fórmula, termo a termo
| Termo | O que é | Onde se encontra |
|---|---|---|
| Clientes | O saldo das contas de clientes: facturas emitidas e ainda não recebidas, com IVA | Balanço, activo corrente (conta 21 do SNC) |
| Vendas e serviços prestados | O volume de negócios do período, sem IVA | Demonstração de resultados (contas 71 e 72) |
| Ajuste de IVA na componente interna | Somar o IVA às vendas feitas em Portugal, à taxa que lhes foi aplicada | Declarações periódicas de IVA ou o próprio programa de facturação |
| 365 | Converte a fracção do ano em dias | Para um trimestre, use 90 e as vendas do trimestre |
Termo
Clientes
- O que é
- O saldo das contas de clientes: facturas emitidas e ainda não recebidas, com IVA
- Onde se encontra
- Balanço, activo corrente (conta 21 do SNC)
Termo
Vendas e serviços prestados
- O que é
- O volume de negócios do período, sem IVA
- Onde se encontra
- Demonstração de resultados (contas 71 e 72)
Termo
Ajuste de IVA na componente interna
- O que é
- Somar o IVA às vendas feitas em Portugal, à taxa que lhes foi aplicada
- Onde se encontra
- Declarações periódicas de IVA ou o próprio programa de facturação
Termo
365
- O que é
- Converte a fracção do ano em dias
- Onde se encontra
- Para um trimestre, use 90 e as vendas do trimestre
Saldo de Fim de Ano ou Saldo Médio
A segunda escolha é qual saldo de clientes usar. O saldo do dia 31 de dezembro é o mais fácil de obter, mas é enganador em empresas com sazonalidade: quem factura muito em novembro e dezembro tem um saldo de fim de ano alto e um prazo médio que parece pior do que é. O Banco de Portugal resolve isto nos seus indicadores trimestrais com médias: para as rubricas do balanço usa a «média dos valores de final de período nos últimos 4 períodos», e para as da demonstração de resultados o valor acumulado do ano acabado no trimestre. [3] É o método que recomendamos: some os saldos de clientes dos últimos quatro fins de trimestre e divida por quatro.
Variantes: por Mês e por Cliente
Para gestão corrente, o rácio anual é lento demais. Duas variantes ajudam. A primeira é o cálculo mensal: saldo de clientes no fim do mês a dividir pelas vendas com IVA dos últimos 12 meses, vezes 365. Mantém o denominador anual e mostra a tendência todos os meses. A segunda é o prazo por cliente: a mesma conta, feita com o saldo e as vendas de um só cliente. É aqui que aparecem os problemas reais, porque um cliente grande a pagar a 120 dias desfaz o esforço de cobrança de todos os outros. Seja qual for a versão escolhida, use sempre a mesma: um rácio só se compara consigo próprio se a fórmula não mudar.
Exemplo: o Prazo de uma PME de Serviços
Uma empresa de serviços de manutenção, com dados inventados para o exemplo, facturou 1.200.000 € sem IVA no último ano, tudo a clientes em Portugal e com IVA a 23%. Os saldos de clientes nos últimos quatro fins de trimestre foram 230.000 €, 250.000 €, 240.000 € e 240.000 €.
As Contas
Prazo médio de recebimentos da empresa do exemplo
| Passo | Conta | Resultado |
|---|---|---|
| Saldo médio de clientes | (230.000 + 250.000 + 240.000 + 240.000) ÷ 4 | 240.000,00 € |
| Vendas com IVA | 1.200.000 € × 1,23 | 1.476.000,00 € |
| Vendas por dia, com IVA | 1.476.000 € ÷ 365 | 4.043,84 € |
| Prazo médio de recebimentos | 365 × 240.000 ÷ 1.476.000 | 59 dias |
Passo
Saldo médio de clientes
- Conta
- (230.000 + 250.000 + 240.000 + 240.000) ÷ 4
- Resultado
- 240.000,00 €
Passo
Vendas com IVA
- Conta
- 1.200.000 € × 1,23
- Resultado
- 1.476.000,00 €
Passo
Vendas por dia, com IVA
- Conta
- 1.476.000 € ÷ 365
- Resultado
- 4.043,84 €
Passo
Prazo médio de recebimentos
- Conta
- 365 × 240.000 ÷ 1.476.000
- Resultado
- 59 dias
O Erro de Esquecer o IVA
Se a mesma conta for feita com as vendas sem IVA, o resultado é 365 × 240.000 ÷ 1.200.000 = 73 dias. São 14 dias a mais, só por misturar um saldo com IVA com vendas sem IVA. Com IVA a 23%, o erro é sempre de 23%: um prazo real de 59 dias aparece como 73, e um de 40 aparece como 49. É o erro mais comum nas fórmulas que circulam, e leva a empresa a concluir que está muito pior do que o sector quando pode estar dentro da média. Nas empresas que exportam, só a parte das vendas nacionais leva o acréscimo.
Quanto Dinheiro Está Parado
A conta mais útil vem a seguir. Cada dia de prazo vale um dia de vendas com IVA: nesta empresa, 4.043,84 €. Se o prazo médio descesse de 59 para 45 dias, o saldo de clientes passaria a 4.043,84 € × 45 = 181.972,60 €, e entrariam no banco 58.027,40 € que hoje estão em facturas por receber. Não é lucro novo: é dinheiro que já era da empresa e que deixa de ser emprestado aos clientes sem juros. Para uma PME, 58 mil euros podem ser a diferença entre usar a conta caucionada todos os meses e não a usar.
Quanto É o Prazo Médio em Portugal
O Banco de Portugal publica no BPstat o quadro «Prazos médios de pagamento e recebimento das empresas», com os dois prazos das empresas não financeiras por sector de actividade e por dimensão. [1] Os números abaixo foram obtidos na interface de dados do BPstat e dizem respeito ao 2.º trimestre de 2026, a observação mais recente, actualizada a 8 de outubro de 2026. [2] São indicadores trimestrais do Inquérito Trimestral às Empresas Não Financeiras, sem agricultura e pescas, calculados para o ano acabado em cada trimestre. [2] [3]
Por Sector de Actividade
Prazos médios das empresas não financeiras privadas, 2.º trimestre de 2026 (Banco de Portugal, BPstat)
| Sector | Prazo médio de recebimentos | Prazo médio de pagamento |
|---|---|---|
| Construção | 69 dias | 78 dias |
| Indústrias | 60 dias | 65 dias |
| Transportes e armazenagem | 54 dias | 65 dias |
| Serviços, excepto transportes | 42 dias | 56 dias |
| Comércio por grosso e a retalho | 38 dias | 48 dias |
| Electricidade, gás e água | 36 dias | 41 dias |
| Total das empresas privadas | 47 dias | 56 dias |
Sector
Construção
- Prazo médio de recebimentos
- 69 dias
- Prazo médio de pagamento
- 78 dias
Sector
Indústrias
- Prazo médio de recebimentos
- 60 dias
- Prazo médio de pagamento
- 65 dias
Sector
Transportes e armazenagem
- Prazo médio de recebimentos
- 54 dias
- Prazo médio de pagamento
- 65 dias
Sector
Serviços, excepto transportes
- Prazo médio de recebimentos
- 42 dias
- Prazo médio de pagamento
- 56 dias
Sector
Comércio por grosso e a retalho
- Prazo médio de recebimentos
- 38 dias
- Prazo médio de pagamento
- 48 dias
Sector
Electricidade, gás e água
- Prazo médio de recebimentos
- 36 dias
- Prazo médio de pagamento
- 41 dias
Sector
Total das empresas privadas
- Prazo médio de recebimentos
- 47 dias
- Prazo médio de pagamento
- 56 dias
A construção é o sector que mais demora a receber, como seria de esperar de um negócio pago por autos de medição e com retenções de garantia, mas tem vindo a melhorar: segundo a mesma série do Banco de Portugal, o prazo médio de recebimentos do sector era de 78 dias no 3.º trimestre de 2023 e de 69 dias no 2.º trimestre de 2026. [2] O comércio recebe depressa porque parte das vendas é a pronto. Nos serviços, o grupo onde está a maioria das PME que facturam a outras empresas, o prazo médio era de 42 dias no 2.º trimestre de 2026. [2]
PME e Grandes Empresas
Por dimensão, a diferença é clara. No 2.º trimestre de 2026, segundo o BPstat, as pequenas e médias empresas privadas recebiam em média em 52 dias e pagavam em 58; as grandes empresas privadas recebiam em 41 e pagavam em 53. [2] Ou seja, as PME esperam onze dias mais do que as grandes para receber. Uma parte da explicação está no poder negocial: uma grande empresa impõe prazos aos fornecedores e cobra aos clientes com mais rigor. O Decreto-Lei n.º 62/2013 existe precisamente para limitar os prazos que a parte mais forte consegue impor, como se vê adiante.
Prazos médios por dimensão, empresas privadas, 2.º trimestre de 2026 (Banco de Portugal, BPstat)
| Dimensão | Prazo médio de recebimentos | Prazo médio de pagamento |
|---|---|---|
| Pequenas e médias empresas | 52 dias | 58 dias |
| Grandes empresas | 41 dias | 53 dias |
Dimensão
Pequenas e médias empresas
- Prazo médio de recebimentos
- 52 dias
- Prazo médio de pagamento
- 58 dias
Dimensão
Grandes empresas
- Prazo médio de recebimentos
- 41 dias
- Prazo médio de pagamento
- 53 dias
Como Comparar o Seu Número
Para comparar, calcule o seu prazo com a fórmula do Banco de Portugal (com IVA e com saldo médio) e ponha-o ao lado do seu sector e da sua dimensão. A empresa do exemplo, com 59 dias, está 17 dias acima da média dos serviços e 7 acima da média das PME. Duas cautelas. A média esconde distribuições muito diferentes, e um sector com 42 dias de média tem empresas a 20 e empresas a 90. E o rácio compara-se melhor consigo próprio: a tendência dos seus últimos oito trimestres diz mais do que a distância a uma média nacional.
Como Baixar o Prazo Médio de Recebimentos
Há duas maneiras de baixar o prazo médio de recebimentos: dar menos prazo e cobrar mais depressa o que passa do prazo. A primeira decide-se no contrato; a segunda, num processo com datas. A lei ajuda nas duas, sobretudo quando o cliente é uma empresa ou uma entidade pública.
O Prazo no Contrato e na Factura
Entre empresas, o prazo de pagamento que se pode acordar tem tecto: «O prazo de pagamento não pode exceder 60 dias, salvo disposição expressa em contrário no contrato, desde que tal disposição não seja nula» (artigo 4.º, n.º 5, do Decreto-Lei n.º 62/2013). [5] Quando o contrato não fixa data, os juros correm 30 dias depois de o cliente receber a factura (n.º 3 do mesmo artigo), e com as entidades públicas o prazo é, em regra, de 30 dias (artigo 5.º). [5] As regras de contagem e as excepções estão no guia dos prazos de pagamento entre empresas. Para o prazo médio, a consequência prática é esta: escreva um prazo curto e uma data de vencimento em cada factura. Um prazo que não está escrito não se cobra a tempo, e um «30 dias» na proposta que não aparece na factura é esquecido por ambas as partes.
Juros e 40 € Desde o Primeiro Dia
Numa transacção comercial, o credor tem direito a juros de mora «sem necessidade de interpelação, a contar do dia subsequente à data de vencimento» (artigo 4.º, n.º 2), e a um mínimo de 40 € pelos custos de cobrança, também sem interpelação (artigo 7.º). [5] A taxa do 2.º semestre de 2026 para estas transacções é de 10,40% ao ano, fixada pelo Aviso n.º 16623/2026/2. [6] Os juros contam-se sobre o montante em dívida, que a lei define incluindo as taxas e encargos que constam da factura (artigo 3.º, alínea h)), ou seja, com o IVA. [5] Numa factura de 12.300 € paga 45 dias depois do vencimento, são 12.300 € × 10,40% × 45 ÷ 365 = 157,71 € de juros, mais 40 €. O efeito no prazo médio não vem do dinheiro em si: vem de o cliente saber que cada dia de atraso tem preço. O diploma inteiro está explicado no guia do Decreto-Lei 62/2013, incluindo por que razão os 40 € são por factura.
Uma Política de Cobrança com Datas
O que mais baixa o prazo médio é um processo que corre sozinho, com as mesmas datas para todos os clientes. A tabela abaixo é a política que propomos a uma PME que factura a empresas: começa antes do vencimento e acaba numa data concreta. Adapte os dias ao seu sector, mas escreva-os e cumpra-os. O que fazer em cada passo com um cliente que não responde está no guia cliente não paga: o que fazer.
Política de cobrança: o que acontece em cada dia
| Dia | O que fazer | Para que serve |
|---|---|---|
| Antes de vender | Verificar o cliente e fixar o prazo por escrito na proposta ou no contrato | Evita o cliente que já deve a meio mundo |
| Dia da factura | Factura com data de vencimento expressa e IBAN visível | Com data certa, a mora começa sem carta |
| 5 dias antes do vencimento | Lembrete simples, com a factura em anexo | Apanha a factura que ficou perdida na caixa de correio |
| Dia seguinte ao vencimento | Registar o atraso; os juros e os 40 € já são devidos | Entre empresas não é preciso fazer nada para os ganhar |
| 7 dias depois do vencimento | Telefonema e email de seguimento | Saber se é esquecimento, discordância ou falta de dinheiro |
| 15 dias depois do vencimento | Carta de interpelação com capital, juros e 40 € calculados | Mostra o custo do atraso e cria prova |
| 30 dias depois do vencimento | Última carta, com a data em que entra a injunção | O prazo final deixa de ser negociável |
| 45 a 60 dias depois do vencimento | Injunção | Título executivo se o cliente não se opuser |
Dia
Antes de vender
- O que fazer
- Verificar o cliente e fixar o prazo por escrito na proposta ou no contrato
- Para que serve
- Evita o cliente que já deve a meio mundo
Dia
Dia da factura
- O que fazer
- Factura com data de vencimento expressa e IBAN visível
- Para que serve
- Com data certa, a mora começa sem carta
Dia
5 dias antes do vencimento
- O que fazer
- Lembrete simples, com a factura em anexo
- Para que serve
- Apanha a factura que ficou perdida na caixa de correio
Dia
Dia seguinte ao vencimento
- O que fazer
- Registar o atraso; os juros e os 40 € já são devidos
- Para que serve
- Entre empresas não é preciso fazer nada para os ganhar
Dia
7 dias depois do vencimento
- O que fazer
- Telefonema e email de seguimento
- Para que serve
- Saber se é esquecimento, discordância ou falta de dinheiro
Dia
15 dias depois do vencimento
- O que fazer
- Carta de interpelação com capital, juros e 40 € calculados
- Para que serve
- Mostra o custo do atraso e cria prova
Dia
30 dias depois do vencimento
- O que fazer
- Última carta, com a data em que entra a injunção
- Para que serve
- O prazo final deixa de ser negociável
Dia
45 a 60 dias depois do vencimento
- O que fazer
- Injunção
- Para que serve
- Título executivo se o cliente não se opuser
Antes de vender a crédito a um cliente novo, a consulta da lista pública de execuções mostra se ele já tem processos pendentes. E para as cartas, a carta de interpelação e a última carta antes da injunção geram o texto de graça, com os valores preenchidos.
A Injunção como Data Marcada
A última alavanca é a que dá força às outras: uma data a partir da qual o cliente sabe que deixa de negociar com a empresa e passa a responder a um tribunal. A injunção serve para dívidas de contratos até 15.000 € (artigo 1.º do diploma preambular do Decreto-Lei n.º 269/98) e, nas transacções comerciais, para qualquer valor (artigo 10.º, n.º 1, do Decreto-Lei n.º 62/2013). [7] [5] Se o cliente não se opuser, o requerimento ganha força executiva. Uma empresa que cumpre a data da injunção com todos os clientes cria uma reputação, e os clientes que pagam tarde aprendem depressa quais são os fornecedores a quem não se pode atrasar. Uma injunção não é o caminho quando a dívida é discutida a sério, por exemplo por um defeito real: aí a oposição leva o caso a tribunal, e convém medir primeiro a prova que tem. Os passos do formulário estão no guia do requerimento de injunção, e as facturas que se dão por perdidas têm tratamento fiscal próprio, explicado em imparidades de clientes.
Perguntas frequentes
Fontes
- [1]BPstat, quadro «Prazos médios de pagamento e recebimento das empresas»· Banco de Portugal
- [2]BPstat, interface de dados: indicadores económicos e financeiros trimestrais das empresas (domínio 168), prazos médios de recebimentos e de pagamentos por sector e dimensão, observações até ao 2.º trimestre de 2026· Banco de Portugal
- [3]Suplemento 2|2013 ao Boletim Estatístico, «Estatísticas das empresas não financeiras da Central de Balanços: notas metodológicas» (fórmulas dos prazos médios)· Banco de Portugal
- [4]Estatísticas das empresas da Central de Balanços: documento metodológico· Banco de Portugal
- [5]Decreto-Lei n.º 62/2013, de 10 de maio, versão consolidada: arts. 3.º, 4.º, 5.º, 7.º e 10.º· Procuradoria-Geral Regional de Lisboa
- [6]Aviso n.º 16623/2026/2, de 3 de julho: taxas supletivas de juros moratórios no 2.º semestre de 2026· Diário da República
- [7]Decreto-Lei n.º 269/98, de 1 de setembro, versão consolidada: art. 1.º do diploma preambular (injunção até 15.000 €)· Procuradoria-Geral Regional de Lisboa